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Qualidade de vida, atividade física e saúde articular em pessoas com Hemofilia A grave em uso de Emicizumabe: resultados do estudo HemiNorth 2 (Fase IV)

A troca da profilaxia com FVIII por emicizumabe reduziu de forma significativa a carga do tratamento e as taxas de sangramento, mantendo níveis elevados de atividade física e estabilidade da saúde articular

A hemofilia A grave é caracterizada por deficiência acentuada do fator VIII, associando-se historicamente a episódios hemorrágicos recorrentes, artropatia progressiva e limitação funcional. Mesmo com a profilaxia regular com concentrados de FVIII, muitos pacientes permanecem com sangramentos relacionados à atividade física, além de enfrentarem elevada carga terapêutica devido à necessidade de infusões intravenosas frequentes, o que pode impactar negativamente a adesão, a qualidade de vida e a participação em atividades recreativas.

Com a introdução do emicizumabe, um anticorpo monoclonal biespecífico administrado por via subcutânea, houve uma mudança relevante no manejo profilático da hemofilia A. Estudos clínicos e dados de mundo real demonstraram melhora do controle hemostático e redução das taxas de sangramento, independentemente da presença de inibidores. Entretanto, ainda são limitadas as evidências que avaliem, de forma integrada, o impacto dessa estratégia terapêutica sobre qualidade de vida relacionada à saúde, níveis objetivos e subjetivos de atividade física e parâmetros de saúde articular em populações fisicamente ativas.

Metodologia
O HemiNorth 2 foi um estudo de fase IV, multicêntrico, aberto e intervencional, conduzido em países nórdicos, que incluiu indivíduos do sexo masculino com hemofilia A grave, sem inibidores, previamente tratados com profilaxia intensiva com FVIII e com necessidade clínica de mudança terapêutica. Após a conclusão de um estudo observacional prévio, os participantes receberam emicizumabe por até 48 semanas. O desfecho primário foi a qualidade de vida relacionada à saúde avaliada pelo instrumento CATCH. Desfechos secundários incluíram níveis de atividade física (IPAQ-SF e monitorização por dispositivo vestível), saúde articular (HEAD-US e HJHS), taxas anualizadas de sangramento estimadas por modelo de regressão binomial negativa, preferência terapêutica e segurança. As análises foram predominantemente descritivas, sem testes formais de hipótese.

Resultados/Discussão:
Os resultados demonstraram melhora consistente na dimensão “carga do tratamento” da qualidade de vida, tanto em adultos quanto em adolescentes, refletindo o impacto positivo da redução da frequência e da via de administração do tratamento. Outras dimensões do CATCH, relacionadas à percepção de risco, impacto nas atividades diárias, sociais e recreativas, permaneceram estáveis ao longo do estudo, sugerindo manutenção de um bom nível funcional previamente existente. A maioria expressiva dos participantes manifestou preferência pelo emicizumabe em comparação à profilaxia com FVIII, sendo a menor frequência de administração e a facilidade de uso os principais fatores determinantes.

Em relação à atividade física, os participantes mantiveram níveis elevados e consistentes ao longo do acompanhamento, tanto por autorrelato quanto por dados objetivos de dispositivos vestíveis, sem redução após a troca terapêutica. Paralelamente, observou-se redução substancial das taxas anualizadas de sangramento total, tratado, espontâneo, traumático e relacionado à atividade física, com aumento significativo da proporção de indivíduos livres de sangramentos. A avaliação da saúde articular mostrou estabilidade global dos escores ultrassonográficos e clínicos, sem sinais de progressão relevante em curto prazo, enquanto o perfil de segurança do emicizumabe permaneceu favorável, sem novos sinais de risco.

Conclusão
O estudo HemiNorth 2 demonstra que a substituição da profilaxia com FVIII por emicizumabe em pessoas com hemofilia A grave fisicamente ativas resulta em redução expressiva da carga do tratamento e das taxas de sangramento, mantendo níveis elevados de atividade física e estabilidade da saúde articular. Esses achados reforçam o papel do emicizumabe como uma estratégia eficaz e centrada no paciente, capaz de melhorar desfechos clínicos relevantes e aspectos funcionais da vida diária, sem comprometer a segurança.

Referência:

1) Astermark J, Ranta S, Myrin-Westesson L, et al. Health-Related Quality of Life, Physical Activity and Joint Health in People With Severe Haemophilia A Receiving Emicizumab: Results From the Phase IV HemiNorth 2 Study. Haemophilia. 2025;31(6):1271-1282. doi:10.1111/hae.70121

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