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ANVISA aprova glofitamabe em combinação com GemOx para pacientes com LDGCB recidivante ou refratário inelegíveis ao transplante autólogo

A nova aprovação amplia as alternativas de tratamento para uma população de difícil manejo e é respaldada por resultados do estudo STARGLO, que demonstrou ganhos de sobrevida e respostas mais profundas e duradouras com o esquema baseado em glofitamabe.

A ANVISA aprovou o registro do Columvi (glofitamabe), da Roche, em combinação com gencitabina e oxaliplatina (GemOx) para o tratamento de pacientes adultos com linfoma difuso de grandes células B não especificado (LDGCB NOS) recidivante ou refratário (R/R) inelegíveis ao transplante autólogo de células-tronco (TACT). A aprovação, publicada em julho de 2026, representa um importante avanço terapêutico para uma população com opções de tratamento historicamente limitadas.

O glofitamabe é um anticorpo monoclonal biespecífico humanizado que atua por meio da ligação simultânea ao antígeno CD20, expresso nas células B tumorais, e ao CD3, presente nas células T. Esse mecanismo promove a aproximação e ativação das células T contra as células malignas, levando à destruição direcionada das células tumorais por meio do redirecionamento do sistema imune.

O LDGCB é o subtipo mais frequente de linfoma não Hodgkin agressivo e apresenta evolução clínica rápida. Embora muitos pacientes respondam ao tratamento inicial, uma parcela significativa apresenta doença recidivante ou refratária, especialmente após múltiplas linhas terapêuticas, com prognóstico desfavorável e alternativas terapêuticas restritas, particularmente entre aqueles que não são candidatos ao transplante autólogo de células-tronco.

A aprovação do glofitamabe foi baseada principalmente nos resultados do estudo clínico de fase 3 GO41944 (STARGLO), um estudo global, randomizado e aberto, que avaliou a eficácia e a segurança do esquema glofitamabe associado à GemOx (Glofit-GemOx) em comparação ao esquema rituximabe associado à GemOx (R-GemOx) em pacientes adultos com LDGCB recidivante ou refratário inelegíveis ao TACT.

O estudo incluiu 274 pacientes, randomizados na proporção 2:1 para receber Glofit-GemOx (n=183) ou R-GemOx (n=91). Na análise primária, o tratamento com glofitamabe associado à GemOx demonstrou benefício significativo em sobrevida global (SG) em comparação ao controle. Na análise atualizada, com mediana de acompanhamento de 20,7 meses, a mediana de SG foi de 25,5 meses no grupo Glofit-GemOx versus 12,9 meses no grupo R-GemOx (HR=0,62; IC95%: 0,43–0,88).

Os dados de acompanhamento de três anos confirmaram a manutenção do benefício clínico do esquema com glofitamabe. Após mediana de acompanhamento de 35,1 meses, a mediana de SG permaneceu em 25,5 meses versus 12,5 meses para Glofit-GemOx e R-GemOx, respectivamente (HR=0,60; IC95%: 0,4–0,8). Além disso, foi observada melhora significativa na sobrevida livre de progressão (SLP), com medianas de 14,4 meses versus 3,3 meses (HR=0,41; IC95%: 0,3–0,6), e maior taxa de resposta completa (58,5% versus 25,3%).

Os resultados demonstraram benefício consistente do esquema Glofit-GemOx em diferentes subgrupos de pacientes, incluindo idosos e indivíduos com doença recidivante precoce ou refratária. Entre os pacientes tratados em segunda linha, a taxa estimada de sobrevida global em três anos foi de 54,6%, superior à observada nos pacientes tratados em terceira linha ou posteriormente (33,2%). Esses achados reforçam o potencial do Glofit-GemOx como uma opção terapêutica relevante, especialmente quando utilizado em fases mais precoces do cenário recidivante ou refratário.

O perfil de segurança observado foi compatível com a classe terapêutica dos anticorpos biespecíficos. O principal evento adverso relacionado ao mecanismo de ação foi a síndrome de liberação de citocinas (SLC), geralmente de baixo grau e manejável por meio de estratégias como o escalonamento inicial de dose e o pré-tratamento com obinutuzumabe. No acompanhamento prolongado do estudo STARGLO, não foram identificados novos sinais de segurança.

A incorporação do glofitamabe ao arsenal terapêutico brasileiro representa um marco na evolução do tratamento do LDGCB recidivante ou refratário, disponibilizando uma estratégia imunoterápica inovadora baseada na ativação direcionada das células T contra células tumorais. Os resultados do STARGLO demonstram benefício sustentado em sobrevida e resposta ao tratamento, ampliando as perspectivas terapêuticas para pacientes inelegíveis ao transplante autólogo.

Referências

  • Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Columvi (glofitamabe): aprovação de registro para tratamento de pacientes adultos com linfoma difuso de grandes células B não especificado recidivante ou refratário inelegíveis ao transplante autólogo de células-tronco. Publicado em 20 jul 2026. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/medicamentos/novos-medicamentos-e-indicacoes/columvi-glofitamabe. Acesso em: 24/07/2026.
  • Abramson JS, Ku M, Hertzberg M, Huang HQ, Fox CP, Zhang H, et al. Glofitamab plus gemcitabine and oxaliplatin (GemOx) versus rituximab-GemOx for relapsed or refractory diffuse large B-cell lymphoma (STARGLO): a global phase 3, randomised, open-label trial. Lancet. 2024;404(10466):1940-1954. doi:10.1016/S0140-6736(24)01774-4.
  • Abramson JS, Townsend W, Fox CP, Ku M, Hertzberg M, Huang HQ, et al. Glofitamab plus gemcitabine and oxaliplatin for relapsed/refractory DLBCL: 3-year follow-up of STARGLO. Blood Adv. 2026 Jun 10. doi:10.1182/bloodadvances.2026019764.
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